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Reggae do passado?

9 fev 2014

Delimitar o tempo (como já foi escrito aqui antes) é uma tarefa nem sempre tão simples. No mundo da música os riscos de se incorrer em imprecisões é ainda mais alto. É muito comum vermos e ouvirmos no meio do reggae ludovicense expressões como “reggae do passado” para caracterizar festas ou locais em que o Reggae Jamaicano tradicional é apreciado. A expressão merecer cuidado e o mínimo de prudência ao ser utilizada. Vejamos o porque.
Para ser passado tem que haver um tempo presente que lhe sobreponha, algo que o supere de forma que um novo estágio seja criado. Façamos uma pequena pergunta: o que aconteceu de novo para chamar ou substituir o reggae roots que rolava nas décadas de 70, 80 e 90 em São Luis? Antecipo de imediato a resposta: os reggaes feitos por encomenda por produtores internacionais e os reggae feitos pelos produtores locais. Ótimo, resposta correta. O que pergunto mais uma vez é: podemos chamar esse estilo de reggae de roots? Ou ainda para ser mais fácil: dá para comparar este estilo de reggae com aquele que ajudou a consolidar nossa ilha como Jamaica Brasileira? Convenhamos, desprovidos que qualquer maniqueísmo, que seria muita pretensão tentar colocá-las no mesmo rol do reggae que sempre foi apreciado na ilha.
Daí não dá pra dizer que o reggae roots foi superado por esta nova vertente musical que é tocada nas radiolas e em vários programas de radio. Não irei nem entrar no mérito da qualidade musical, mas é clarevidente a diferença entre os dois estilos, e um não superou o outro porque são coisas diversas. Então porque chamar de “reggae do passado” o roots que está cada vez mais vivo e cada vez mais forte?
Aprecio, além do reggae, outros estilos musicais e nunca ouvi ninguém dizendo: vou curtir uma MPB do passado (mesmo que vá ouvir Caetano, Gil, Chico, Tom ou Vinicius). É MPB e pronto! Jamais ouvi também alguém dizendo: que tal curtir um rock do passado, tipo Pink Floyd, Beatles ou Rolling Stones?
Reggae do passado é uma forma de sepultar um morto que simplesmente não existe. Na minha opinião chamar de Reggae (aquele que fez história em São Luis), é o suficiente para identificar o estilo que sabemos bem qual é. Aqueles que gostam de outra vertente musical que a chame como melhor lhe convir: robozinho, reggae eletrônico ou qualquer outra denominação. Bom, mas aí é por conta de quem aprecia. Eu, como gosto do Reggae Jamaicano responsável pela alcunha ‘Jamaica brasileira’, espero que no presente cada vez mais se deixe de lado a palavrinha “passado”, para que no futuro ele continue a ser tão forte e apreciado quanto o é hoje.

Ronald Corrêa

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