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O discípulo alemão de Bob Marley apresenta seu reggae no Brasil

3 nov 2015

Bob Marley, o mais conhecido músico de reggae de todos os tempos, teria completado 70 anos de vida este ano. É verdade que, se estivesse vivo, não veria o gênero musical que o levou a vender mais de 75 milhões de discos na maioria das paradas de hoje. Mas poderia se tranquilizar com um fato inegável: o reggae segue firme e forte, sem perder sua parcela cativa de fãs. É nessa pegada que os adoradores de Marley e seus seguidores vão celebrar o encontro, no palco, de Gentleman – um dos nomes mais conhecidos do reggae contemporâneo – e do Cidade Negra, o grupo brasileiro que alçou o ritmo ao pop no país. Os dois se apresentam juntos nesta sexta-feira (30 de outubro), em São Paulo, e no sábado (31), no Rio de Janeiro, por iniciativa do projeto alemão Grooves United.

Quem é Gentleman”, perguntará o leitor que parou em Marley. Gentleman, conhecido internacionalmente, mas que hoje pisa no Brasil pela primeira vez, é a prova de que o reggae vive e cresce nos lugares mais improváveis. Alemão radicado em Colônia, Otto Tilmann – seu nome de batismo – descobriu a batida de jah ainda novo, pelos discos do irmão. Aos 18, viajou à Jamaica, conheceu as origens do ritmo e começou a experimentar com ele, compondo sob influências clássicas e cantando em inglês e às vezes inclusive em jamaicano (nunca em alemão). Seis álbuns de estúdio depois, todos com milhares de cópias vendidas, tornou-se o primeiro artista de reggae convidado a gravar um disco acústico para a MTV Unplugged. Seu último trabalho, New Day Dawn, saiu em 2013.

“Nunca imaginei que a música me levaria ao reggae, especialmente na Alemanha, que não tem especial afinidade com o ritmo. Mas o reggae viaja, mesmo mantendo suas raízes na Jamaica, e vibra sempre. Não precisa das paradas de sucesso”, diz Gentleman. As expectativas do alemão – um verdadeiro gentleman que, sim, faz jus ao nome artístico e às boas vibrações inerentes ao ritmo que o consagrou. Sem trazer na mala muitas imagens prontas sobre o Brasil, à exceção de ser “um país grande, em que as pessoas são calorosas e gostam de música”, o cantor espera compartilhar o palco com Tony Garrido e equipe e fazer o público relaxar e cantar, como já aconteceu na Alemanha. “O show aconteceu primeiro lá e chamou muitos brasileiros, mas os alemães também. Foi lindo ver todo mundo cantando, especialmente porque acredito muito nessa troca cultural que a música proporciona com tanta facilidade”, afirma.

As apresentações lá e aqui, apertando os laços entre a Alemanha e o Brasil, são, há anos, uma marca do Grooves United, comandado por uma brasileira radicada em Colônia, a produtora cultural Gueia Ackermann. “O Brasil é certamente um dos países mais fascinantes e belos do mundo, mas, mesmo assim, as pessoas sabem pouco sobre a nossa cena musical. Por isso, comecei a levar para lá grandes nomes da nossa música, como Alcione, Luiz Melodia e Lenine”, conta Gueia. Para a edição deste ano do projeto, Seu Jorge foi o convidado a abrir os shows alemães, no final de setembro, e fez também uma apresentação para convidados em São Paulo, antes de ceder o palco para o reggae.

 

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