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O Adeus ao Rei Serralheiro e a Bela Homenagem do Jornalista Luis Fernando.

30 mar 2017

Resumindo em poucas palavras, aqueles que nesse momento sofrem a dor dessa perda irreparável para o nosso movimento, fica o legado e a genuína história de um dos construtores da cena reggae de São Luís. A nossa Jamaica Brasileira hoje dá o seu último adeus à este que foi admirado e considerado como o “Carrasco do Reggae”. Valeu por tudo Edmilson Serralheiro.

Luis Fernando Homenageia o Rei

Serralheiro era pioneiro,um dos desbravadores do reggae,foi daqueles que deu a cara prá bater quando aquele novo som, nos primórdios chamado de ” música internacional” começou a cair no gosto dos ludovicences,á princípio dos jovens negros e pobres da grande periferia.
Uma época de grande discriminação e preconceito contra a música, as festas e seus frequentadores .Foi quando aquele homem que trabalhava com portões, janelas e outros artefatos de ferro resolveu que tinha afinidades com aquilo tudo .Montou uma aparelhagen modesta e aos poucos foi aumentando.No início tocava uma festinha aqui,um aniversário ali e quando se deu conta era procurado para contratos mais importantes .
Serralheiro viveu a época de ouro do reggae maranhense, nas décadas de 70,80 e 90,principalmente as duas primeiras quando conseguir as músicas era uma aventura que obrigatoriamente consistia em viajar á Jamaica e Inglaterra .Como a concorrência ia, ele entendeu que se não fosse também ficaria para trás e sua Voz de Ouro Canarinho perderia importância e mercado, claro.E lá se foi Serralheiro, praticamente só, sem entender uma vírgula de inglês,comprar músicas pra tocar em suas festas. O homem passou mil dificuldades na viagem de ida e volta mas não voltou de mãos vazias trazendo um belo acervo pra ilha.
Sem muita cultura, nem por isso deixava de falar ao microfone,criando um estilo simples, com vocabulário pobre,de frases curtas;em bordões bem conhecidos e apreciados pelo público, onde se destacou o “Lá vai ela”,anunciando a próxima música da sequência. Sobre músicas ,corria à boca miúda que era dono de um acervo invejável e muito assediado por djs e donos de radiolas que pretendiam comprar as “bolachas”,mas não sabemos se era verdade ou não.
A Voz de Ouro Canarinho esteve no auge,rivalizando com as grandes radiolas da ilha,mas como era muito desconfiado, avesso à parcerias ,perdeu espaço e mercado quando as radiolas foram crescendo rapidamente suas estruturas e ele sem muitas condições de investir.
Foi um radioleiro que pouco ou quase nunca se envolvia nas polêmicas costumeiras que antecedem os grandes eventos,quando insultos,ameaças e todo tipo de baixarias acontecem e vão ao ar nos programas.Era muito humilde e sem qualquer sinal de estrelismo ou arrogância em que pese a fama que tinha.Várias vezes o levei à TV nos tempos do Ilha Reggae e sem nenhum interesse que não fosse mostrar a sua importância para o movimento.
Serralheiro e Antônio José foram até agora, na minha opinião os grandes nomes que o reggae produziu desde que aqui chegou, e chamá-lo de Rei Serralheiro é o mínimo que se pode fazer como homenagem à este personagem genuíno e carismático. Em vida foi assim chamado e agora que nos deixou,será para sempre assim lembrado ,como um rei. O Rei Serralheiro !

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