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Banda de reggae feminina do Cariri conquista internautas

26 fev 2015

Elas vieram para fazer um som diferente e com mensagens positivas. O reggae é o sinal de bons tempos para o grupo Nazirê. A banda com pouco mais de dois anos, estava um pouco desencontrada, mas, depois de um vídeo de uma das músicas, postado na Internet, veio o incentivo que o grupo estava precisando para reanimar as meninas. Com a música “Acorda pra vida”, de autoria de Jordânia Martins, o Nazirê ganhou mais visibilidade e o ritmo regueiro já chegou a receber convites até de outros países para a possível gravação das músicas. Mas, ainda neste mês, o grupo grava a música em estúdio, na Capital cearense. A banda conquistou, em pouco mais de dois meses, são 9.226.183 visualizações na rede social Facebook.

Tudo começou pelo prazer de cantar e a admiração em comum pelo ritmo que teve a inspiração maior em Bob Marley. Já se contam inúmeros grupos, pelo mundo inteiro, da música que se tornou um grito que sai dos guetos, buscando o canto da liberdade. E as meninas decidiram investir num segmento da música em que não é comum ter mulheres na liderança musical.

A vozes ressoam delicadamente no ritmo sincronizado. No vídeo, com a bandeira do rei dos regueiros ao fundo, a música chega aos ouvidos como um despertar. A filmagem foi elaborada sem uma produção voltada para o resultado que tem obtido. Pelo menos não havia essa pretensão. Para as meninas Jordânia, Géssica Alencar e Ranny Ramos esse momento trouxe uma nova visibilidade que foi uma grande surpresa. Não esperavam que os shows aumentassem. No próximo dia 14 de março farão dois shows em uma só noite. No Sesc de Juazeiro do Norte e, em seguida, abrindo o show do cantor Edson Gomes, um dos ícones do reggae no Brasil e inspiração das meninas regueiras do Cariri. As bandas Mato Seco e Alpha Blondy também fazem parte das preferências musicais em se tratando do ritmo.

Mesmo com um projeto musical anterior, músicos caririenses decidiram iniciar o Nazirê. Eram seis componentes. Com o sucesso do vídeo, postado no dia 7 de janeiro, nas redes sociais, mais duas pessoas passaram a compor o grupo. A percussão ganhou força. “A gente sempre teve um sonho e, de repente, três dias depois da postagem, conseguimos seis milhões de visualizações”, afirma Jordânia.

Em uma semana e meia foram nove milhões acessos ao vídeo e a página no facebook cresceu de mil pessoas em dois anos de banda para mais de 85 mil pessoas. Todos os componentes do grupo já eram fãs do reggae, bastante disseminado por bandas no Cariri. Mesmo por ser divulgado e ter muitos fãs, segundo Jordânia, na região também há outros grupos específicos e também muito divididos entre as preferências musicais.

A cantora e instrumentista Ranny Ramos diz que, mesmo navegando por outras vertentes musicais, decidiu investir no reggae com o Nazirê. Para isso, houve uma concentração por essa inspiração, mas buscando novos elementos que caracterizem o aspectos personalístico da banda. Elas declaram que, com todo esse trabalho e a resistência dos grupos, há bandas que estão se sobressaindo na região do Cariri, como a Liberdade e Raiz, que se encontra em processo de gravação de CD; e Missão do Miranda, entre outras.

Jordânia lembra do momento difícil que a banda vinha passando. Os ensaios foram reduzidos. Após compor a música, na virada do ano, elas decidiram se encontrar na casa de Géssica, em Juazeiro do Norte, para gravar com a câmera do celular o vídeo “viralizado” na rede. Decidiram postar no Youtube. “A gente nunca imaginou que fosse ter esse sucesso, porque a música “Colar de joias raras” é muito mais trabalhada e com uma produção maior e não teve o mesmo sucesso”, afirma.

A ideia era ver os amigos apenas dando força para a nova música. A canção ainda não está sendo executada em rádios da região e agora as integrantes aguardam a gravação, tendo à frente o produtor e empresário Hélio Santos. A ansiedade do grupo é grande para estar em estúdio realizando um sonho da carreira. “Estamos muito confiantes e, como não temos experiência, é muito boa essa proposta de gravar essa música”, explica Jordânia.

As referência femininas no mundo do reggae são poucas ainda. No geral, a maioria é homem. As mulheres estão mais presentes no back vocal, conforme explica Jordânia, talvez até para dar uma suavizada nas vozes masculinas. O vídeo obteve uma repercussão internacional. E os contatos passaram a vir de países latino-americanos e também da Europa.

Não apenas do Ceará começaram a surgir propostas para o grupo. Houve, na verdade, uma divulgação em outros países do Nazirê. Conforme Jordânia, elas tiveram contato com um produtor da Itália, que deseja fazer um teste com a banda. E os elogios vieram de suecos, chilenos, venezuelanos, mexicanos e norte-americanos. “As pessoas diziam que, mesmo sem entender o idioma, gostaram muito”, conta Ranny. Mesmo com a mudança de perspectiva do momento, para o grupo o importante é não deixar a chance passar.

Fique por dentro

Mistura de estilos e letras engajadas

O Reggae é um gênero musical que tem suas origens na Jamaica. O auge do reggae ocorreu na década de 1970, quando este gênero espalhou-se pelo mundo. É uma mistura de vários estilos e gêneros musicais: música folclórica da Jamaica, ritmos africanos, ska e calipso. Apresenta um ritmo dançante e suave, porém com uma batida bem característica. A guitarra, o contrabaixo e a bateria são os instrumentos musicais mais utilizados. As letras das músicas de reggae falam de questões sociais, principalmente dos jamaicanos, além de destacar assuntos religiosos e problemas típicos de países pobres. O reggae recebeu, em suas origens, uma forte influência do movimento rastafari, que defende a ideia de que os afrodescendentes devem ascender e superar sua situação por meio do engajamento político e espiritual. No Brasil, o ritmo chegou com mais força no Norte e Nordeste. O Estado do Maranhão se destaca com a forte presença de músicas do gênero.

Mais informações:
Nazirê
www.nazire.com.br
(88) 9713.9432 / 8872.9755
Falar com Érika Cristina
[email protected]

Fonte: Diario Do Nordeste

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